quarta-feira, 6 de maio de 2009

Que tal se todos nós nos embebedássemos?

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foto: Rafael Medina

preciso estar-se, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos.

E se, às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós vos acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: “É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.” (Baudelaire, Pequenos Poemas em Prosa)

4 comentários:

Huanita disse...

Clap clap clap!
Divino... e inspirador! rs

AtomiCokctail disse...

De jarras de GinTônica com muito gelo, bebericando e conversando nas espreguiçadeiras do jardim dos fundos a tarde toda !

jupter disse...

ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de baudelaire.

Alê Ferrari disse...

Hahahahaha!!!!