quarta-feira, 28 de janeiro de 2009




Aproveitando esses dias chuvosos de verão, vou começar este blog com uma receita que amo e que, para mim, está sempre associada à chuva e à infância: os bolinhos de chuva.

Os meus preferidos eram os que a minha tia fazia: pequenos, crocantes por fora e fofinhos por dentro, uma delícia! E eu adorava comê-los ainda fumegantes, e nem me importava com as eventuais queimaduras na língua ou no céu da boca: o sabor e as sensações trazidas por eles compensavam tudo.

A receita do bolinho de chuva vem de Portugal e é bem simples: ovos, farinha, fermento, leite e açúcar. Algumas pessoas gostam de acrescentar também essência de baunilha e bicabornato de sódio, para torná-lo mais aerado.

Antigamente, no Brasil, muitos não usavam a farinha de trigo para fazer a massa, pois era um produto mais caro, importado, e, assim, este ingrediente era substituído por farinha de mandioca, cará e até mesmo fubá. E naqueles tempos onde não existia colesterol, triglicerídeos (que tempo bom, hein?), os bolinhos eram fritos na boa e velha banha de porco.

O bolinho de chuva também tinha outros nomes: bolinhos de negra (referência às escravas que faziam o quitute), filós de Carnaval (eram muito consumidos nos entrudos, os ancestrais de nosso Carnaval atual), desmamados, e assim por diante.

E sabe de uma coisa? Sempre quis saber qual era a receita dos bolinhos que a Tia Nastácia do Sítio do Picapau Amarelo fazia e que deixava todo mundo babando. Qual foi a minha surpresa ao descobrir, pesquisando na internet, que os tais bolinhos eram nada mais nada menos que os famosos bolinhos de chuva!

Adoro aquela cena de A Viagem ao Céu, quando ela ficava com o São Jorge sozinha na lua e fazia os bolinhos pra ele. Monteiro Lobato arrasa sempre, né não?

E sem mais delongas, aí vai a receita do meu Bolinho de Chuva.
Ingredientes:

5 colheres de sopa de açúcar;
10 colheres de sopa de farinha de trigo;
1 colher de sopa de fermento químico em pó;
2 ovos ligeiramente batidos;
Açúcar e canela a gosto;
Óleo para fritar;
Leite até dar ponto.

Modo de fazer:
Misture os quatro primeiros ingredientes, acrescente o leite até conseguir uma consistência de massa de bolo um pouco mais grossa (é fácil de perceber qual o ponto correto da massa: ao pegar com a colher, a massa não pode escorrer, ela tem que ficar um pouco compacta, mas não dura). Aqueça o óleo numa frigideira funda e vá fritando os bolinhos às colheradas (aconselho usar uma colher de sobremesa, para o bolinho não ficar muito grande). O ideal é que o óleo esteja numa quantidade suficiente para cobrir os bolinhos. Deixe fritá-los até que fiquem morenos e vá tirando com uma escumadeira, deixando-os secar em papel absorvente. Pode ser que, durante a fritura, alguns pedaços se desprendam da massa, é bom descartá-los com a escumadeira para que não queimem e deixem um gosto de queimado no óleo.

Depois de fritos, passe-os no açúcar e na canela.

Variações:

Uma variação muito boa dessa receita é a que leva banana na massa. É só amassar, para essa quantidade de ingredientes, quatro bananas prata e misturar à massa. Depois é só prosseguir como descrito acima.

Tem gente que costuma colocar raspas de limão na massa, o que dá um toque cítrico ao bolinho, contrastando com o doce da receita. Se você quiser experimentar essa variação, não esqueça de colocar apenas a parte verde da casca do limão, pois a parte branca dá um sabor amargo ao bolinho.

Gosto também de, depois de fritos e polvilhados com açúcar, comer os bolinhos acompanhados de mel ou geléia de frutas. Na verdade, pode-se recheá-los com qualquer tipo de doce que ficam ótimos (é só cortá-los ao meio e, com a ajuda de uma faca, recheá-los com doce de leite, brigadeiro, goiabada cremosa, geléia etc. etc.).

Uma outra variação é deixar algumas uvas passas de molho no vinho do Porto e depois misturá-las à massa (pode-se acrescentar o vinho do molho na massa que também fica bom).

Uma receita que parece com o bolinho de chuva e que também me lembra a infância é a das rosquinhas fritas. No geral, é como se fosse uma variação do bolinho de chuva, em formato de rosquinha e com a massa um pouco mais seca (para isso, utilizamos o vinagre). É deliciosa! Uma vez, quando criança, comi um pote inteiro de rosquinhas e fiquei passando mal do fígado dias e dias, portanto, ao fazer essa receita, cuidado com os excessos!

Aí vai ela:
Ingredientes:

3 ovos;
3 colheres de sopa de vinagre (pode ser o tinto ou o branco);
5 colheres de sopa de açúcar;
3 colheres de sopa de óleo;
2 colheres de sopa de fermento químico em pó;
Açúcar e canela a gosto;
Farinha até dar ponto.

Modo de fazer:
Misture os cinco primeiros ingredientes e, depois, vá acrescentando a farinha até a massa desgrudar das mãos, atingindo o ponto de enrolar. Faça rosquinhas com a massa e frite-as em óleo quente, até que fiquem douradas. Depois de fritas, é só polvilhar com açúcar e canela.

2 comentários:

jupter disse...

tô achando o blog bem chique, hein? tá arrasando. bolinhos de chuva ao som de debussy, nunca pensei. mas agora que vi, curti. só falta me chamar pra comer os bolinhos chez alê e ouvir debussy pelas mãos do próprio.
bjs

Rafa Medina disse...

Quando vi o post sobre bolinho de chuva lembrei na hora do sitio do picapau amarelo! eeeheehehe

Ahaza no novo blog!

Luv